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sexta-feira, 20 de abril de 2012


Para todos aqueles que trabalham com filmagens, especialmente com cinema, acontecerá a Semana ABC, de 09 a 11 de maio de 2012, na Cinemateca Brasileira. Não percam!!!!

A programação da Semana ABC 2012 contará com debates com os mais renomados profissionais do mercado. Haverá também uma exposição de equipamentos e serviços, que acontecerá no foyer da sala BNDES e na área externa da Cinemateca. Até o momento, os expositores confirmados são: Barcelona Filmes, Câmera 2, Cinecolor Digital, Cinepro/Dot, Electrica, Locall, Quanta Post, Solar Luzes Especiais e White Gorilla.

A Semana ABC é aberta ao público e a entrada é franca.  Serão distribuídas senhas a partir da 8h:30 para as mesas do período da  manhã e das 13h para as da tarde.



PROGRAMAÇÃO SEMANA ABC 2012



09 de maio, quarta-feira

9h30 - Mesa 1: Workflow  Digital  I
Soluções criativas para o set de filmagem.
Monitoração e direcionamento de cor no set.

Mediador: Marco Oliveira (colorista)
Palestrantes: Daniel Rezende (diretor), Marcos Jorge (diretor), Paulo Barcellos (representante White Gorilla), Ricardo Della Rosa (diretor de fotografia)

11h15 - Mesa 2: Workflow  Digital  II
Captação | "Revelação" e pós-produção da imagem digital. Perdas e ganhos nos diferentes fluxos de trabalho.
É possível manter o controle da imagem criada pelo diretor de fotografia?

Mediador: Marcelo Trotta (diretor de fotografia)
Palestrantes: Adrian Teijido (diretor de fotografia), Carlos Vecchi (supervisor de pós –produção da O2 Filmes), José Augusto De Blasiis (coordenador de operações do CasablancaLab e do curso de Cinema Digital da Universidade Metodista de São Paulo)

Intervalo: das 13h às 14h

14h30 - Mesa 3: A ABC como ponto de encontro da comunidade
O olhar de produtores, diretores, fornecedores e técnicos sobre as transformações em curso nos modelos de produção tradicionais. Novas tecnologias correspondem a novos métodos?

Mediador: Lauro Escorel (diretor de fotografia)
Palestrantes: André Sturm (diretor do MIS – Museu da Imagem e do Som), Fabiano Gullane (produtor executivo da Gullane), João Daniel Tikimiroff (diretor), Leyla Fernandes (representante Apro), Paulo Ribeiro (representante Abele)

17h00 - Mesa 4: Apresentação da nova câmera Alexa Studio
Apresentação, por representante da ARRI, da sua nova Câmera Alexa Studio e suas recomendações de workflows.

19h30 – Coquetel de abertura oferecido pela ABC e ARRI



10 de maio, quinta-feira

9h30 - Mesa 5: Novas perspectivas no ensino de cinematografia na era digital
Discussão, entre representantes das instituições de ensino, sobre as novas abordagens e os desafios no ensino de cinematografia na era digital.

Mediador: Ninho Moraes (Cásper Libero)
Palestrantes: André Moncaio (AIC), Cleber Eduardo Miranda dos Santos (SENAC), Fernando Scavone (ECA-USP), José Augusto De Blasiis (Metodista), Nina Tedesco (UFF)


11h15 - Mesa 6: A cor na Tela
Um encontro interdisciplinar e investigativo sobre o uso da cor na arte em geral e na direção de arte em particular. Sua potencialidade expressiva na criação do jogo cênico, seu papel na composição do universo visual de um filme, na caracterização e evolução dos personagens e sua função específica dentro da narrativa.

Mediadora: Vera Hamburger (diretora de arte)
Palestrantes: Beth Filipecki (figurinista), Tulé Peake (diretor de arte), Walter Carvalho (diretor e diretor de fotografia)
Coordenação: Ana Mara Abreu, Cassio Amarante, Clo Azevedo, Isabelle Bittencourt, Marcos Carvalheiro, Vera Hamburger

Intervalo: das 13h às 14h

14h30 - Mesa 7: Convidado Internacional: Marcelo Pont

Um dos mais importantes Diretores de Arte do cinema argentino(“O Segredo de Seus Olhos” (2009)de Juan José Campanella, entre outros) compartilha suas experiências profissionais. O objetivo é promover uma reflexão sobre as nossas diferenças e semelhanças dentro da perspectiva de um mercado panamericano de cinema, que nos aproxima e nos une.

Participação: Cassio Amarante (diretor de arte) e Adrian Teijido (diretor de fotografia)

17h00 - Mesa 8: Apresentação da nova câmera F65
Apresentação, por representante da Sony, da sua nova Câmera F65, com projeção em 4K do Demo Reel, e suas recomendações de workflows




11 de maio, sexta-feira

9h30 - Mesa 9: O som no cinema contemporâneo: conceitos e novas tecnologias
A opção estética de um filme influência diretamente as escolhas técnicas e o fluxo de trabalho com o som. Discutir o uso do som no cinema contemporâneo é refletir sobre a importância de se pensar a sonoridade de um filme durante todo o processo criativo, isto é, desde o roteiro. Em última instância, é também analisar a contribuição das novas tecnologias para o processo criativo.

Participação do convidado internacional: Guido Berenblum.
Técnico de som direto e editor de som cinematográfico. Natural da Argentina, é diretor de som de filmes como "O Pântano" (2000), "A Menina Santa" (2004) e "A Mulher Sem Cabeça" (2008), todos de Lucrecia Martel; “Café dos Maestros” (2008) de Miguel Kohan; “Hamaca Paraguaya” (2006) de Paz Encina; “Los Guantes Magicos” (2003) de Martin Rejtman; “Garage Olimpo” (1998) de Marco Bechis, entre muitos outros. Também ministra a oficina "Edição de Som em Formato 5.1" na Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de Los Baños (EICTV) desde 2010.


Mediador: Bernardo Marquez (editor de som, técnico de som direto e microfonista)
Palestrantes: Eduardo Santos Mendes (sound designer e professor de som da ECA/USP e Tide Borges (técnica de som e professora da disciplina “Direção de Som” na FAAP).

11h15 - Mesa 10: Futuro do Audiovisual
Paradigmas técnicos, artísticos e de negócio na indústria do audiovisual.

Mediador: Carlos Ebert (diretor de fotografia)
Palestrantes: Artur Matuck (pesquisador e artista plástico), Fábio Lima (Diretor fundador da MOBZ), Guido Lemos (professor da UFPB e pesquisador do Laboratório de Aplicações de Vídeo Digital (LAVID), Stuart Bowling (representante da Dolby).


Intervalo: das 13h às 14h

14h30 - Mesa 11: Workflow Digital III
Parte 1 - Perdas e ganhos dos diferentes fluxos de trabalho.
Masterização | DCPs | Diferentes modos de distribuição e Projeção da Imagem e do Som.

Mediador: José Francisco Neto (representante Cinepro/Dot)
Palestrantes: Adhemar Oliveira (exibidor e fundador do Espaço Itaú de Cinema), Hugo Gurgel (representante Quanta Post), Jorge Peregrino (distribuidor), Luiz Adelmo (sound designer, editor de som e mixador).

Intervalo

Parte 2 - As futuras tendências do Cinema Mundial:
* Um panorama da entrada do Cinema Digital e 3D no mundo.
* O papel das normas (SMPTE) e especificações (DCI).
* Os princípios básicos do pacote de cinema digital (DCP), e porque isso torna possíveis novos formatos no cinema.
* O futuro: novos formatos de som e de imagens

Apresentação feita pelo convidado internacional Michael Karagosian, presidente da MKPE Consulting LLC, empresa de consultoria, baseada em Los Angeles, para desenvolvimento de negócios em cinema digital. Ele vem trabalhando há 30 anos na indústria cinematográfica, e nos últimos 12 anos na implantação do cinema digital, dando consultoria para fabricantes, desenvolvedores de software, integradores de sistemas, empresas de telecomunicações, organizações governamentais e organizações comerciais. As atividades recentes de Michael incluem a negociação de acordos de implantação do cinema digital nas Filipinas e Irlanda. Foi também assessor do UK Film Council para a Digital Screen Network e membro do conselho de administração da In-Three, a primeira empresa de conversão de cinema 2-D para 3-D. No final dos anos 1970 e início dos anos 1980, Michael liderou o desenvolvimento de produtos dos laboratórios Dolby, onde foi responsável pela stereo surround para filmes de 70 milímetros e do primeiro processador de som THX. Ele presidiu vários comitês para padronização do cinema digital na Society of Motion Pictures and Television Engineers (SMPTE), incluindo o desenvolvimento do Pacote de Cinema Digital (DCP) e DCI. Recentemente ele recebeu o título de Membro Honorário do SMPTE, e atualmente preside o SMPTE TC-21DC Higher Frame Rate Study Group.



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Fundada em 2000, a Associação Brasileira de Cinematografia (ABC) congrega artistas e técnicos de todas as áreas da produção cinematográfica. Anualmente, a entidade promove o Prêmio ABC, concedido aos melhores trabalhos em direção de fotografia, montagem, som e direção de arte para longas-metragens e em cinematografia para curta-metragem, filmes publicitários, programas de televisão e produções estudantis.

A ABC ainda promove anualmente a Semana ABC, reunindo associados e estudantes numa programação intensa de palestras, debates e workshops, que culmina com a entrega do Prêmio ABC 2012 no dia 12 de maio. Confira mais informações sobre a mostra e demais atrações nos sites www.cinemateca.gov.br ou www.abcine.org.br.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Atitude Digital - Recomendações Técnicas para a Imagem e o Som nas Mídias Audiovisuais Digitais

A ABC (Associação Brasileira de Cinematografia), que tem como associados os técnicos responsáveis pela criação da imagem e som do audiovisual brasileiro, vem a público manifestar sua crescente preocupação com a forma com que os seus trabalhos vem sendo apresentados ao público, e propor uma ampla discussão ao longo de toda a cadeia produtiva (técnicos, produtores, realizadores, finalizadores, distribuidores, laboratórios, imprensa especializada(1), autoridades e instituições do cinema).


Esta iniciativa ganhou urgência face aos problemas técnicos constatados pela ABC durante a exibição de muitos filmes nas últimas edições dos principais festivais e mostras realizadas no Brasil, e também na divulgação pelas emissoras de televisão, e tem por objetivo buscar, em conformidade com todos os envolvidos, a melhor forma de preservar a qualidade do audiovisual brasileiro, adotando padrões técnicos universais e aperfeiçoando os procedimentos ao longo do processo produtivo. Esse é um momento de acelerada transformação tecnológica - com todas as dificuldades e percalços que isso implica, e à ABC cumpre agir no sentido de assegurar ao público a melhor qualidade possível na apresentação da obra audiovisual.


A cadeia produtiva no foto-químico



Até alguns anos atrás o percurso das nossas imagens e sons entre o momento da sua captação e apresentação poderia ser descrito como:

Filmagem > Laboratório > Montagem > Finalização > Copiagem > Projeção


Tradicionalmente, era responsabilidade do Diretor de Fotografia dominar a técnica da filmagem, do laboratório processar a película dentro de padrões rígidos que garantissem a qualidade do registro fotográfico, e do Exibidor projetar os filmes também dentro de padrões que permitissem a reprodução fiel da imagem e som concebidos na origem por Produtores/Diretores, Diretores de Fotografia, Diretores de Arte e Equipe de Som.


Ao Diretor de Fotografia cabia indicar equipamentos e procedimentos técnicos necessários para a impressão no negativo da imagem concebida para o projeto. Era de sua responsabilidade garantir a obtenção de uma imagem de qualidade compatível com o grau de investimento financeiro e artístico de todos os envolvidos no processo de produção e criação.


Para garantir a preservação da qualidade da imagem e som foi necessário desenvolver uma metodologia e criar padrões técnicos de referência para todos os processos. Diretores de Fotografia, Técnicos de Laboratório e de Projeção se pautaram por eles visando garantir a excelência do espetáculo cinematográfico.



A revolução digital trouxe a falsa esperança de que a qualidade do original seria integralmente preservada ao longo da cadeia de produção. Além disso, o digital inaugurou a facilidade de acesso (preço e acessibilidade), aos equipamentos (hardwares e softwares) por parte dos produtores e técnicos.


Com o desenvolvimento da tecnologia digital, que multiplicou formatos, mídias e codecs (codificadores/decodificadores), surgiu uma enorme diversidade de caminhos para as nossas imagens, da captação até a exibição. Expandiram-se as possibilidades criativas e com isso tornou-se imperativo o estabelecimento de uma metodologia e de padrões rígidos como a que havíamos alcançado no foto-químico. A facilidade das interfaces amigáveis, de certa forma mascara a complexidade crescente dos equipamentos e processos. Um erro numa fase intermediária muitas vezes só aparece quando da exibição da peça finalizada.


A partir de 1999 a tecnologia DLP Cinema (Digital Light Processing), foi aprovada pela indústria cinematográfica norte-americana, sem que entretanto fossem criadas normas técnicas ou padrões definidos para regulamentar o que passou a ser chamado de Cinema Digital. Na ocasião ficou estabelecido que sob essa denominação estariam aquelas exibições realizadas com uma resolução espacial superior a 2K (2 mil pontos por linha). Seis anos se passaram até que a DCI (Digital Cinema Initiatives), um grupo formado a partir das majors de Hollywood, publicou em um documento abrangente estabelecendo as especificações técnicas para o cinema digital com o intuito de estabelecer limites de qualidade tão altos quanto o filme 35 mm(2). Esta iniciativa foi encampada pelo meio cinematográfico e pela SMPTE (Society of Motion Picture and Television Engineers) que mais tarde criou um padrão específico para atender tais requisições.


No Brasil, com a alegação de que a produção independente, que hoje migrou maciçamente para o digital, não teria condições de gerar rendas para cobrir os custos da instalação de salas com o padrão DCI, foi adotado informalmente um "padrão brasileiro" que reuniu elementos de hardware e software já existentes no mercado para atender a um modelo de negócio considerado factível pelos empresários da distribuição e exibição digital. Este padrão está sensivelmente abaixo daquele adotado mundialmente para o cinema digital. Como profissionais da imagem e do som sabemos que o aumento de variáveis no processo digital traz junto o crescimento da probabilidade de erros. Daí a necessidade de se aumentar o controle e não diminuí-lo como muitos erroneamente acreditam, e de adotar normas universais que venham disciplinar a cadeia produtiva do audiovisual.


O registro da imagem cinematográfica e do som implica investimento significativo de capital, criação artística e conhecimento técnico. Existe um processo de construção destes registros a partir de conceitos concebidos pelo núcleo criativo que devem ser preservados até sua apresentação seja ela em salas de exibição, televisores, computadores pessoais ou dispositivos portáteis. Ao escolhermos nosso equipamento de captação estamos definindo uma série de especificidades para nossas imagens que devem ser preservadas ao longo do caminho através de um workflow adequado, testado e aprovado pelo produtor.


Outro aspecto que preocupa a ABC nesse momento de transição tecnológica, é a ausência de cursos de atualização, reciclagem e formação de projecionistas e técnicos em projeção digital. Por outro lado, o sucateamento das sala de exibição em suporte foto-químico, consequência da ausência de investimento numa tecnologia cada vez mais considerada como em vias de desaparecimento, levou a qualidade da exibição nas salas de cinema ao patamar mais baixo que se tem notícia até hoje entre nós.


Nesta conjuntura, a ABC manifesta sua preocupação com o acúmulo de erros e a falta de controle de qualidade em todas as etapas do processo, especialmente na masterização e na exibição, o que compromete o trabalho de todos os envolvidos na criação da imagem e do som (Diretores de Fotografia, Diretores de Arte,Montadores, Figurinistas, Técnicos de Som, Mixadores, Editores, etc).


Como ação inicial, estamos estabelecendo um Grupo de Trabalho dentro desta Associação, com o objetivo de preparar e divulgar as Recomendações Técnicas para a Imagem e o Som nas Mídias Audiovisuais Digitais; documento que descreverá em detalhe os procedimentos mínimos que assegurem a preservação da qualidade - com a reprodução fiel da imagem e som, da captação até a recepção final da obra.


A experiência do espectador diante das obras audiovisuais é nosso bem maior. Deve ser preservado e aprimorado. Para tanto, convidamos a todos os interessados a se unirem à ABC neste esforço.


São Paulo , 28 de Outubro de 2011


Presidente Vice-Presidente Secretario Tesoureira
Carlos Pacheco Adrian Teijido Rodrigo Monte Maritza Caneca



Membros do Conselho
Affonso Beato, Alziro Barbosa, Carlos Ebert, Henrique Leiner, Jacob Solitrenick, Jose Francisco Neto, Jose Roberto Eliezer, Lauro Escorel, Lito Mendes da Rocha, Lucio Kodato, Marcelo Trotta, Nonato Estrela, Pedro Farkas, Roberto Faisal, Tide Borges.

terça-feira, 2 de março de 2010

Maureen Bisilliat

O ano passado foi excepcional em termos de fotografia no Brasil. Vieram para cá exposições fotográficas fantásticas, como Henri Cartier-Bresson, Walker Evans, Pierre Verger, Robert Doisneau, etc. Além disso, a Galeria de Babel trouxe a agência de fotografia Magnum ao Brasil.

Tomara que o ritmo continue este ano! E, pra começar, recomendo aqui uma bela exposição:



E, melhor, a própria fotógrafa irá fazer uma visita guiada dia 04/03/2010 às 18:00hs.

Dentro da exposição também está sendo exibido o documentário "Xingu/Terra", com direção dela, em projeção digital. Inicialmente filmado em 16mm e ampliado para 35mm, o filme ganhou os prêmios de melhor fotografia (Lúcio Kodato, ABC), melhor som (som direto: Sidnei Paiva Lopes), montagem e edição de som (Roberto Gervitz) no XIV Festival de Brasília do Cinema Brasileiro - Nov. 1981.

Vejam press-release abaixo:





SESI-SP E INSTITUTO MOREIRA SALLES APRESENTAM EXPOSIÇÃO DE MAUREEN BISILLIAT


Realizada pelo SESI-SP e IMS, a mostra fotográfica será aberta à visitação pública gratuita a partir de 2 de março.



Entre 2 de março e 4 de julho, um acervo com cerca de 200 imagens - editadas pela fotógrafa inglesa Maureen Bisilliat com a colaboração dos curadores do Instituto Moreira Salles (IMS) - estará exposto, gratuitamente, na Galeria de Arte do SESI-SP. No dia 4 de março, às 18h, Maureen Bisilliat fará uma visita guiada com os visitantes da exposição.

A mostra Maureen Bisilliat: fotografias / Acervo Instituto Moreira Salles, que ficou em cartaz no IMS-RJ até 17 de janeiro, chega a São Paulo mais extensa e com novidades. Alguns ensaios ganharam novas imagens, como Pele Preta, composto por fotografias feitas quando Maureen, ainda estudante, frequentava ateliês de modelo vivo. Também ganhou volume a série dedicada aos romeiros.

O público paulistano poderá conferir ensaios inéditos. Chorinho Doce, por exemplo, tem fotografias feitas em grande parte no Vale do Jequitinhonha e inspiradas nos poemas de Adélia Prado.

Outros capítulos que compõem esta exposição também tiveram começo nas obras de um autor. Ao longo de sua profissão, Maureen Bisilliat produziu equivalências fotográficas sobre os universos de Guimarães Rosa, Jorge Amado, João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna e Euclides da Cunha.

Além das referências literárias, a mostra sintetiza situações vividas ao longo da carreira de Maureen, seja nas viagens ao Japão, África e Bolívia, seja durante os anos de glória no fotojornalismo, com os ensaios Caranguejeiras, Mangueira, e China.

Na série dedicada ao Xingu, os visitantes da mostra poderão ver uma canoa, com seis metros de comprimento, produzida de acordo com a tradição indígena. Além disso, durante toda a mostra, haverá a projeção de Xingu/Terra, documentário feito na década de 1980 por Maureen Bisilliat e Lúcio Kodato, rodado na aldeia mehinaku, no Alto do Xingu.

O objetivo da exposição, que tem curadoria de Sergio Burgi, é realizar uma leitura simultânea entre a produção fotográfica e a produção editorial de Maureen Bisilliat, revelando tanto a fotógrafa como a editora de imagens e textos reunidos nas diversas publicações que produziu. Por isso, haverá na mostra um espaço dedicado ao processo gráfico e de concepção intelectual de Maureen, reunindo, além das suas publicações, grande parte do material que serviu de base para sua criação: correspondências com Jorge Amado, conversas com Guimarães Rosa, recortes de jornais, provas de gráfica e fotografias.

Também será inédita a sala voltada à variada produção artística da fotógrafa, marcada principalmente após a década de 1970, com referências à extinta galeria O Bode, dedicada à divulgação da arte popular brasileira; ao seu trabalho como curadora no Pavilhão da Criatividade, no Memorial da América Latina; e à sua atuação em projetos sociais ligados à produção audiovisual, em parceria com a filha Sophia Bisilliat.

Livro: Maureen Bisilliat - fotografias
A publicação homônima à exposição reconstrói a trajetória de Maureen ao longo de 50 anos de profunda atividade criativa. O livro, editado pela própria fotógrafa, reúne 12 ensaios fotográficos, dispostos de forma delicada e subjetiva. As imagens são combinadas a textos variados, resultando em parcerias artísticas formadas entre Maureen e João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Jorge Amado e Euclides da Cunha. Mas este livro é mais do que um livro de fotografia. É também uma biografia de Maureen – cuja vida foi reconstruída pela escritora e jornalista Marta Góes –, uma antologia visual das paisagens, pessoas e objetos que a marcaram ao longo da vida, uma reunião das melhores críticas já escritas sobre seu trabalho, uma bibliografia comentada pela autora, uma fonte de referências inestimáveis sobre suas publicações, exposições, vídeos e filmes.

Maureen Bisilliat – Fotografias
304 pgs
ISBN: 978-85-86707-45-2
23 x 30 cm
R$ 140,00


Sobre a fotógrafa


Sheila Maureen Bisilliat nasceu em Englefieldgreen, Surrey, Inglaterra, em 1931. Estudou pintura com André Lothe em Paris (1955) e no Art Students League em Nova York (1957) antes de se fixar definitivamente no Brasil em 1957, na cidade de São Paulo. Trabalhou para a Editora Abril entre 1964 e 1972, fotografando para várias publicações, das quais destaca-se a revista Realidade.

É autora de livros de fotografia inspirados em obras de grandes escritores brasileiros, como A João Guimarães Rosa, em 1966; Sertões – Luz e trevas, de 1983, baseado no clássico de Euclides da Cunha (1866-1909); O cão sem plumas, de 1984, referenciado no poema de mesmo título de João Cabral de Melo Neto (1920-1999), e Bahia amada amado, de 1996, com seleção de textos de Jorge Amado (1912-2001).

Em 1985, expõe em sala especial na 18ª Bienal Internacional de São Paulo um ensaio fotográfico inspirado no livro O turista aprendiz, de Mário de Andrade (1893-1945). Ela produziu, ainda, Xingu – Território tribal (1979) e Terras do rio São Francisco (1985). A partir da década de 1980, dedicou-se ao trabalho em vídeo, com destaque para Xingu/terra, documentário de longa-metragem rodado com Lúcio Kodato na aldeia mehinaku, no Alto Xingu.

Recebeu bolsa da John Simon Guggenheim Foundation, Estados Unidos (1970), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (1981/1987), da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (1984/1987) e da Japan Foundation (1987). Formou o acervo de arte popular do Pavilhão da Criatividade do Memorial da América Latina, São Paulo, o qual dirige desde 1988. Ela obteve o prêmio de Melhor Fotógrafo da Associação dos Críticos de Arte de São Paulo (1987).
Em dezembro de 2003, sua obra fotográfica completa, composta por cerca de 16 mil imagens - fotografias, negativos preto e branco e cromos coloridos, nos formatos 35 mm e 6 x 6 cm - foi incorporada ao acervo fotográfico do Instituto Moreira Salles.

SERVIÇO:

Exposição Maureen Bisilliat: fotografias / Acervo Instituto Moreira Salles
Vernissage: dia 1º de março de 2010, às 19h – fechada para convidados
Local: Galeria de Arte do SESI-SP - Av. Paulista, 1313 – metrô Trianon-Masp
Exposição: de 2 de março a 4 de julho de 2010
Horários de visitação: segunda-feira, das 11h às 20h; de terça-feira a sábado, das 10h às 20h; e domingo, das 10h às 19h.
Informações: (11) 3146-7405 / 3146-7406

www.sesisp.org.br/centrocultural

Entrada: franca
Agendamento de grupos: (11) 3146-7396 – de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h.


SESI-SP e SENAI-SP / FIESP
www.sesisp.org.br
www.sp.senai.br

IMS-SP
www.ims.com.br


Veja também matéria sobre Maureen no programa Provocações, do Abujamra:
http://www.tvcultura.com.br/provocacoes/programas/1039

PS: em 19/07/2010 John Bailey, ASC, fez um lindo post analisando a obra e a vida de Maureen:
http://www.ascmag.com/blog/2010/07/19/maureen-bisilliat-brazil%E2%80%99s-camera-poet/