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quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Curso de Steadicam

Amigos de cinematografia, ainda têm vagas para o curso de Steadicam oferecido pela Tiffen que irei fazer. O workshop terá participação do próprio inventor do Steadicam e será o primeiro curso oficial da empresa na América do Sul. Para quem se interessar, o link explicando o curso e a inscrição está aqui.

http://www.thesteadicamworkshops.com/schedule.shtml#aug24

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Carta aberta dos Continuístas

Caros produtores,

Há alguns anos percebemos uma crescente incompreensão do papel do continuísta nos sets defilmagem/gravação. Hoje muitos filmes estão sendo feitos sem continuísta, pois muitas pessoas desconhecem o que nossa função pode oferecer a um projeto. Esse e-mail tem como objetivo esclarecer algumas questões referentes a nossa profissão.
Segue uma breve descrição das nossas atividades em todas as fases de produção.

Durante a pré-produção, as tarefas de um continuísta são:

- fazer a cronologia do roteiro. Isto significa estabelecer os dias e noites da história e indicar em que “hora do dia” as cenas ocorrem. Fazendo isso é possível ter uma radiografia do roteiro, checar possíveis falhas na trama, incoerências, como se desenvolvem os personagens e até mesmo o ritmo das cenas;
- a partir da cronologia, fazer outras decupagens que possam ser necessárias, como uma linha do tempo para flashbacks, progressão de machucados/acidentes, etc;
- reunir-se com os departamentos de figurino, maquiagem, arte e direção para checar as decupagens que eles fizeram em suas respectivas áreas. Assim, todos possuirão as mesmas informações, que serão acrescentadas na análise técnica sem gerar dúvidas.
- calcular quantos oitavos de página cada cena tem, gerar um total de páginas e um total de cenas no roteiro. Esta informação será importante durante a produção para que se saiba exatamente o quanto está se avançando a cada dia de filmagem;
- participar da reunião de análise técnica. Caso não seja possível, participar da reunião de plano de filmagem;
- caso a produção necessite, minutar o roteiro.
Durante a pré-produção o continuísta costuma entrar no projeto uma semana antes da filmagem, onde a análise técnica e plano de filmagem já estão prontos, podendo haver erros de informações que não foram checadas pelo departamento de continuidade a tempo. O ideal seria a participação do continuísta no processo da criação do plano de filmagem e análise técnica evitando informações desencontradas durante a filmagem.

Durante a produção, as tarefas de um continuísta são:

- minutar os ensaios;
- determinar os números de cena e plano que vão na claquete e informar aos departamentos de câmera e som;
- fazer diariamente um relatório detalhado de todos os planos rodados, contendo informações sobre o rolo de câmera ou cartão, clip (no caso das câmeras digitais), tempo de cada take e comentários sobre cada um deles, informando ao montador quais os takes válidos e alertando sobre possíveis problemas;
- fazer diariamente um relatório indicando quais cenas foram rodadas e parcialmente rodadas, os totais de planos, cenas e minutos rodados naquele dia;
- conferir a continuidade de figurino, maquiagem, cenário e objetos;
- anotar modificações feitas nos diálogos;
- ficar atento e responder perguntas sobre os enquadramentos, eixos de câmera, pontos de corte, raccord, ações, intenções e emoções dos atores. Alertar sobre eventuais problemas que possam prejudicar a montagem e orientar sobre a melhor forma de resolvê-los;
- esclarecer dúvidas sobre a continuidade que possam surgir dos diversos departamentos durante a filmagem, podendo, até, dar mais agilidade ao set.
A presença do continuísta no set não é para restringir o processo de criação, mas sim criar uma parceria, entender a linguagem do diretor e mostrar opções que o possibilitem filmar seguindo seu estilo. É o continuísta que garante, através de seus relatórios, que as opções estéticas do diretor cheguem ao montador. O continuísta é a ponte entre a filmagem e a montagem.

Um bom relatório de continuidade pode oferecer ao montador um guia para que ele possa montar o filme com mais eficiência e rapidez. Com ele, o assistente de montagem não perderá tempo localizando o material e tentando entender o que foi filmado, se valeu ou não, ou procurando referências para sincronizar o som e imagem quando, muitas vezes, são duas câmeras de dois formatos diferentes. Um relatório bem feito resulta em menos horas de ilha, deixando o processo mais rápido e objetivo.

Durante a pós-produção, as tarefas de um continuísta são:

- revisar os relatórios entregues;
- entregar o roteiro efetivamente filmado com indicações sobre o início e o fim de cada plano e modificações nos diálogos e ações do roteiro;
- esclarecer dúvidas que possam surgir com relação à montagem.

Todo esse detalhamento das nossas funções é para ressaltar que um continuísta profissional está poupando o dinheiro gasto na produção de um projeto, e não o contrário. Queremos, então, levantar a questão da defasagem do nosso cachê, o mesmo de 5 anos atrás, ao contrário de diversos departamentos que conseguem atualizar seus cachês ao negociar com os produtores. Tomando por base a tabela do Sindcine, o valor do cachê de um continuísta corresponde a 83,41% do cachê do 1º assistente de direção. Usando essa porcentagem como referência, ao invés de estabelecer valores fixos de cachê, estaremos sempre nos adequando ao tamanho e ao orçamento do projeto.

Achamos arriscado, quando se envolve tanto dinheiro numa obra, abrir mão de uma das poucas funções que domina o roteiro. O continuísta tem uma visão apurada do todo, tem consciência de cada um dos fragmentos filmados e como eles se encaixam para formar este todo. Entendemos que cada projeto tem suas especificidades. Por isso, tomamos a iniciativa de escrever esta carta e iniciar um diálogo com os produtores para esclarecer estas questões referentes as funções e responsabilidades de um continuísta e a atual situação na qual nos encontramos referente aos nossos cachês.
Segue abaixo nomes e depoimentos de profissionais cinematográficos que apóiam a função do
continuísta num projeto:

"Tendo trabalhado durante muitos anos como assistente de montagem (a pessoa que organiza e cuida da parte técnica na ilha de edição, do material para o filme ser montado) ressalto o quão importante é o trabalho do continuísta. Com os boletins nós podemos conferir se todo material se encontra disponível, corrigir possíveis erros de claquetes de imagem que não batem com áudio (o que ajuda na procura dos takes), encontrar determinados planos citados em algum momento pelo diretor além de ter documentado eventuais planos que não filmam a claquete, por correria no set. Pra mim, que trabalhei em grandes produções, os boletins de continuidade sempre foram meu ponto de partida do trabalho de organização e principalmente checagem e comprovação do que foi filmado."
Flávia Gonçalves – RJ – assistente de montagem dos projetos “Cidade dos Homens”, “O Ano que
Meus Pais Saíram de Férias”, “NOSSO LAR”, “Tropa de Elite”, “SALVE GERAL”, “Cazuza”, “Olga”, etc.

“Nessa expansão de mercado estamos deixando o cinema artesanal, onde a formação precária e a intuição predominam, para um cinema com mais recursos estéticos e tecnológicos (não arriscaria dizer “indústria”). Com isso a necessidade de se melhorar a formação desses profissionais ficou urgente. Pense que estamos num processo em que cada ação tomada agora irá repercutir na formação
futura dos novos profissionais, sejam eles da continuidade ou não. Para isso acho urgente a mudança de visão sobre a profissão dos continuístas. A continuidade não defende somente se o corte de cabelo é igual de um dia para o outro ou se o eixo está correto ou não. O continuista não “atrapalha” o diretor, como alguns dizem. Qualquer mau profissional atrapalha, e não precisa ser continuista para isso. A continuidade dialoga com TODOS os departamentos, fornecendo informações relacionadas ao roteiro e direção; e é responsável por aglutinar TODAS as informações provenientes de TODOS os departamentos em forma de relatórios, que são
fundamentais para a pós produção. A continuidade seria como um administrador do departamento de direção, calcando sua ação a partir do profundo conhecimento do roteiro filmado. Em inglês chama-se Script Supervisor não é a toa. Mais uma vez reitero o meu apoio ao seu movimento em dividir o conhecimento para um bem geral da comunidade cinematográfica.
Paulo Ricardo Numes – RJ – técnico de som dos projetos “Xingu”, “A Cadeira do Pai”, “A Festa da Menina Morta”, “Ó Pai, Ó”, “Plastic City”, etc.


“A importância do continuísta para o figurino é a cronologia que é feita por eles. É o continuísta que bota ordem na casa! Muitas vezes o roteiro não deixa claro as mudanças de dias ou tem incoerências que para o figurino são determinantes. Essa cronologia é necessária para fazermos as contagens de troca de roupa (as Rs como chamamos) de cada personagem. Pelo número de troca de roupas é que fazemos o orçamento do figurino e o guarda-roupa para cada personagem. Chamamos de ¨bíblia do figurino¨ um caderno organizado entre o figurino e a continuidade, que contém cena por cena do roteiro com os personagens principais e secundários determinando as Rs de cada um e a quantidade e especificações da figuração. Isso é maravilhoso, pois assim a equipe de figurino fica em sintonia com a filmagem diminuindo qualquer margem de erro. A bíblia também orienta a maquiagem, casting e arte que ficam com a mesma informação. O continuísta também ajuda o figurino com as determinações que vêm no roteiro sobre as roupas, como um vestido velho, uma camisa rasgada etc...
muitas vezes é necessário discutir com a direção alguns casos que não batem com o conceito pensado para o personagem. No caso de haver, por exemplo cena com sangue ou uma situação em que o ator deve se molhar é necessário ter mais trocas de roupas e o número de trocas será determinado com o diretor, primeiro assistente e continuísta para que não haja dúvidas na hora da filmagem. Apesar do figurino já ter a seu própria organização baseada na bíblia, durante as filmagens, é a continuidade que ajuda a conferir se a roupa de cada personagem está correta e em caso de refilmagem fornece todas as informações como uma dobra de manga , a posição de uma gola etc... A parceria entre figurino e continuidade é essencial para uma filmagem tranquila.
Cristina Camargo – SP – figurinista dos projetos “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, “Central do Brasil”, “Lula – O Filho do Brasil”, “Carandiru”, “Cidade Baixa”, “Terra Estrangeira”, etc.


“Pra mim o continuista funciona como um Assistente de Direção que cuida especificamente da organização da informação no set, com foco nos detalhes técnicos e artísticos das cenas captadas. Todos nós sabemos que a ordem da filmagem raramente coincide com a cronologia da obra, e o continuista é essencial no sentido de orientar o trabalho, tanto para evitar erros na filmagem quanto
municiar a edição com as informações fundamentais do trabalho. É uma figura importantissima no set, sua ausência pode gerar danos irreparáveis.”
José Roberto Eliezer – SP – fotógrafo dos projetos “Assalto ao Banco Central”, “Nina”, “Se eu fosse você”, “Cafundó”, “O Cheiro do Ralo”, “Caixa Dois”, “Cabeça a Prêmio”,”FDP”, etc.


“Para mim a continuidade é um olho da montagem na filmagem então é muito importante! Pra selecionar o material eu trabalho com o boletim de continuidade"
Willem Dias – SP – montador ds projetos “Os 12 Trabalhos”, “Nossa Vida Não Cabe Num Opala”, “Os Matadores”, “Cabra-cega”, etc.


“Apesar de negligenciada por produtores e diretores, o que é ainda mais agravante, a função do continuísta, é muito importante na realização de um filme. Subordinado diretamente ao diretor, registro o meu espanto diante de alguns diretores desprezarem essa função. Como ex-continuísta sei da importância que tive durante as filmagens de filmes como "Vera", "Festa", "Kuarup" e como os
diretores precisavam do meu trabalho e apesar de muitos diretores hoje acharem que não, sim, eles precisam de um continuísta durante as filmagens.
Copio um texto de um professor de cinema americano sobre as responsabilidades de um continuísta: "... entender como o filme sera editado e, durante as filmagens, monitorar continuamente que palavras, ações, objetos e figurinos são usados de uma tomada a outra. O continuísta, também chamado de supervisor de roteiro, ajuda o diretor garantindo que haja cobertura suficiente de cada
cena e, quanto tempo e recursos devem ser poupados, é capaz de definir o que pode ser omitido ou encurtado. Filmar em vídeo simplifica a conferência do conteúdo de uma tomada, embora a torne lenta, mas filmar em película não permite tal registro até que os copiões tenham sido revelados. Se uma tomada deve corresponder a outra confiavelmente, você precisará de um observador com olhos de águia que registre cada variável significativa, não importanto qual método de filmagem você use... Em filmes estudantis, quando o diretor não consegue encontrar um continuísta, já presenciei o montador executar essa função. A motivação de executá-la certamente existe." (Direção de Cinema Técnicas e Estética, Michael Rabiger, 2007
Inês Mulin – SP – assistente de direção dos projetos “Chega de Saudade”, “Sábado”, “Bicho de Sete Cabeças”, “Durval Discos”, “Kenoma”, “As Melhores Coisas do Mundo”, etc.


“Muitas vezes os boletins de continuidade nos apontam para cenas que ainda não vímos e que se perdeu dentro imensidade de material bruto, assim como o link com as informações de áudio são essenciais muitas vezes para sincar o material.
Laura Futuro – SP - coordenadora de pós-produção dos projetos “FDP”, “O Samba que Mora em Mim”, etc.


“Cá estou eu em mais uma roda de fogo, trabalhando na minissérie "Dercy". Pode imaginar cem anos daquela louca deliciosa e um século de Brasil? O que eu posso fazer sem uma continuista que me diga- "Anna, Allloooou,estamos em 1951?" Nada! Lógico que eu sei que estamos neste ano e não em 1971, mas o continuista faz toda diferença. Faz toda diferença quando me alerta que ela estava
descabelada.Tinha vindo de uma briga com o amado, o spray de cabelo deveria estar em qualquer lugar menos na cabeça desta personagem. Obrigada por existirem!
Anna Van Steen – SP – maquiadora dos projetos “Xingu”, “Lula – O Filho do Brasil”, “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, “Cafundó”, “Carandiru”, “Cidade de Deus”, etc.


“A presença de continuísta em qualquer projeto de dramaturgia é essencial, uma peça chave que trabalha junto com a direção, arte, figurino e maquiagem. A economia feita em não ter no projeto, acaba se perdendo no tempo perdido em cada questão que a continuista
já resolveria na hora. Principalmente depois na edição, os erros surgem e mais tempo e dinheiro perdido para conserta‐los.
Quando entro em um projeto, logo pergunto quem será a continuista.
Caia Guimarães – SP – figurinista dos projetos “Cristina Quer Casar”, “As Melhores Coisas do Mundo”, “Família Vende Tudo”, etc.


“Desde 2008 trabalho como Assistente de Edição de projetos de cinema e televisão que utilizam um “método” mais clássico de trabalho e tem grande veiculação na mídia. Nessas experiências, tive a oportunidade de trabalhar com diferentes continuístas e o pior, trabalhar em projetos que não tinham um continuista. Nas boas experiências, aprendi a usar o trabalho desses profissionais como mapa, receita, roteiro, do que havia sido filmado ou não no set. Comentários essenciais de chefes de equipe do set chegavam a mim e eram passados para o editor, comentários e opiniões do diretor, take a take, da mesma maneira eram repassados. Uma ponte crucial entre o time dos roteiristas, o set e a ilha de edição! Muitas vezes inclusive em pré-produção já recebia tabelas decupadas por período do dia, ambientes, que foram usadas sempre para facilitar a “leitura” do material bruto. Um trabalho muito
difícil de ser realizado, mas quando bem feito, trazia grandes diferenças para a ilha de edição. (Alguns inclusive já com fotos do video assist, plano a plano, ilustrando sobre qual take era aquela ficha!) Isso sem falar na organização básica, numérica, de sequencias, planos, takes e principalmente ao serem utilizadas duas ou mais câmeras. Saber se a claquete foi feita corretamente ou se ocorreu algum engano, diponibilizar pro tecnico de som direto informações precisas sobre os planos, enfim, o trabalho do continuista sempre acelerou meu processo de organização e sync e consequentemente disponibilizava com mais agilidade e detalhamento esse material para o editor. Lembro de utilizarmos a pasta de continuidade (com fichas bem feitas e bem completas, claro) como um livro sagrado dentro da ilha de edição. Não se encostava no material ou nem se digitalizava algo se não tivessem chegado as fichas, e até o corte final a pasta era checada! Fico surpreso ao ver que cada vez mais tem se substituido a função de um continuista por um logger ou um estagiário, ou até mesmo eliminando essa função do orçamento. Posso assegurar que os trabalhos que realizei sem um continuista demoraram pelo menos o dobro de tempo para serem organizados, sem falar na qualidade da organização (“leitura”) do que ocorreu no set, diminuindo consideravelmente a qualidade final do corte, ou levando muito mais tempo de edição com o diretor.
Alexandre Palo – SP - editor e assistente de edição dos projetos “Lula – O Filho do Brasil”, “Vips”, “Quebrando o Tabu”, “As Brasileiras”, etc.
Isabel Valiante – SP – assistente de direção dos projetos “A Cadeira do Pai”, “Antônia”, “Alice”, “Filhos do Carnaval”, etc.
Mayra Ferro – SP – finalizadora do filme”Xingu” e assistente de direção em publicidades.
Marcelo Cordeiro – SP – assistente de direção dos projetos “FDP” , “Estação Liberdade”, “Fios de Ovos”, e diversas publicidades.
Letícia Giffoni – SP – montadora dos projetos “Lula – o filho do Brasil”, “A Suprema Felicidade”, “Última Parada 174”, “Caixa Dois”, etc.
Suzy Milstein – SP – assistente de direção dos projetos “O Lobo atrás da porta”, “Vips”, “O Gorila”, etc.
Daniel Rezende – SP – montador dos projetos “Cidade de Deus”, “A Árvore da Vida”, “360”, “Tropa de Elite”, “O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias”, “Diários de Motocicleta”. Etc.
Thiago Villas Boas – assistente de direção dos projetos “FDP”, “Amore m 4 Atos”, “Boca do Lixo”, “Antônia”, etc.


Agradecemos a atenção e estamos disponíveis para quaisquer esclarecimentos.

Adelina Pontual (81) 9282-8071 adelpontual@uol.com.br
Aislan Ferretti (11) 7181-6184 aislanferretti@yahoo.com.br
Aline Motta (21) 8815-2542 aline@alinemotta.com
Ana Lígia Coradi (11) 7825-8319 anacoradi@hotmail.com
Arnaldo Faria (11) 6347-3355 eufaria@gmail.com
Cecília Araújo (11) 8402-8102 cinececilia@yahoo.com
Coelho Nunes (62) 8116-9344 coelhonunes@gmail.com
Cristina Santeiro (11) 9828-7653 mcsanteiro@gmail.com
Fádhia Salomão (11) 7402-2298 fadhia@gmail.com
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Letícia Tauffenbach (11) 9523-5448 letauffenbach@uol.com.br
Maria Eugênia Lopes (21) 7140-7970 eugeniacontinuista@hotmail.com
Marília Medeiros (11) 7960-8710 twistmedeiros@gmail.com
Paula Mercedes (11) 9635-0790 paulamercedes79@yahoo.com.br
Rodrigo Diaz Diaz (11) 7741-3139 diazdiaz@gmail.com

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Atitude Digital - Recomendações Técnicas para a Imagem e o Som nas Mídias Audiovisuais Digitais

A ABC (Associação Brasileira de Cinematografia), que tem como associados os técnicos responsáveis pela criação da imagem e som do audiovisual brasileiro, vem a público manifestar sua crescente preocupação com a forma com que os seus trabalhos vem sendo apresentados ao público, e propor uma ampla discussão ao longo de toda a cadeia produtiva (técnicos, produtores, realizadores, finalizadores, distribuidores, laboratórios, imprensa especializada(1), autoridades e instituições do cinema).


Esta iniciativa ganhou urgência face aos problemas técnicos constatados pela ABC durante a exibição de muitos filmes nas últimas edições dos principais festivais e mostras realizadas no Brasil, e também na divulgação pelas emissoras de televisão, e tem por objetivo buscar, em conformidade com todos os envolvidos, a melhor forma de preservar a qualidade do audiovisual brasileiro, adotando padrões técnicos universais e aperfeiçoando os procedimentos ao longo do processo produtivo. Esse é um momento de acelerada transformação tecnológica - com todas as dificuldades e percalços que isso implica, e à ABC cumpre agir no sentido de assegurar ao público a melhor qualidade possível na apresentação da obra audiovisual.


A cadeia produtiva no foto-químico



Até alguns anos atrás o percurso das nossas imagens e sons entre o momento da sua captação e apresentação poderia ser descrito como:

Filmagem > Laboratório > Montagem > Finalização > Copiagem > Projeção


Tradicionalmente, era responsabilidade do Diretor de Fotografia dominar a técnica da filmagem, do laboratório processar a película dentro de padrões rígidos que garantissem a qualidade do registro fotográfico, e do Exibidor projetar os filmes também dentro de padrões que permitissem a reprodução fiel da imagem e som concebidos na origem por Produtores/Diretores, Diretores de Fotografia, Diretores de Arte e Equipe de Som.


Ao Diretor de Fotografia cabia indicar equipamentos e procedimentos técnicos necessários para a impressão no negativo da imagem concebida para o projeto. Era de sua responsabilidade garantir a obtenção de uma imagem de qualidade compatível com o grau de investimento financeiro e artístico de todos os envolvidos no processo de produção e criação.


Para garantir a preservação da qualidade da imagem e som foi necessário desenvolver uma metodologia e criar padrões técnicos de referência para todos os processos. Diretores de Fotografia, Técnicos de Laboratório e de Projeção se pautaram por eles visando garantir a excelência do espetáculo cinematográfico.



A revolução digital trouxe a falsa esperança de que a qualidade do original seria integralmente preservada ao longo da cadeia de produção. Além disso, o digital inaugurou a facilidade de acesso (preço e acessibilidade), aos equipamentos (hardwares e softwares) por parte dos produtores e técnicos.


Com o desenvolvimento da tecnologia digital, que multiplicou formatos, mídias e codecs (codificadores/decodificadores), surgiu uma enorme diversidade de caminhos para as nossas imagens, da captação até a exibição. Expandiram-se as possibilidades criativas e com isso tornou-se imperativo o estabelecimento de uma metodologia e de padrões rígidos como a que havíamos alcançado no foto-químico. A facilidade das interfaces amigáveis, de certa forma mascara a complexidade crescente dos equipamentos e processos. Um erro numa fase intermediária muitas vezes só aparece quando da exibição da peça finalizada.


A partir de 1999 a tecnologia DLP Cinema (Digital Light Processing), foi aprovada pela indústria cinematográfica norte-americana, sem que entretanto fossem criadas normas técnicas ou padrões definidos para regulamentar o que passou a ser chamado de Cinema Digital. Na ocasião ficou estabelecido que sob essa denominação estariam aquelas exibições realizadas com uma resolução espacial superior a 2K (2 mil pontos por linha). Seis anos se passaram até que a DCI (Digital Cinema Initiatives), um grupo formado a partir das majors de Hollywood, publicou em um documento abrangente estabelecendo as especificações técnicas para o cinema digital com o intuito de estabelecer limites de qualidade tão altos quanto o filme 35 mm(2). Esta iniciativa foi encampada pelo meio cinematográfico e pela SMPTE (Society of Motion Picture and Television Engineers) que mais tarde criou um padrão específico para atender tais requisições.


No Brasil, com a alegação de que a produção independente, que hoje migrou maciçamente para o digital, não teria condições de gerar rendas para cobrir os custos da instalação de salas com o padrão DCI, foi adotado informalmente um "padrão brasileiro" que reuniu elementos de hardware e software já existentes no mercado para atender a um modelo de negócio considerado factível pelos empresários da distribuição e exibição digital. Este padrão está sensivelmente abaixo daquele adotado mundialmente para o cinema digital. Como profissionais da imagem e do som sabemos que o aumento de variáveis no processo digital traz junto o crescimento da probabilidade de erros. Daí a necessidade de se aumentar o controle e não diminuí-lo como muitos erroneamente acreditam, e de adotar normas universais que venham disciplinar a cadeia produtiva do audiovisual.


O registro da imagem cinematográfica e do som implica investimento significativo de capital, criação artística e conhecimento técnico. Existe um processo de construção destes registros a partir de conceitos concebidos pelo núcleo criativo que devem ser preservados até sua apresentação seja ela em salas de exibição, televisores, computadores pessoais ou dispositivos portáteis. Ao escolhermos nosso equipamento de captação estamos definindo uma série de especificidades para nossas imagens que devem ser preservadas ao longo do caminho através de um workflow adequado, testado e aprovado pelo produtor.


Outro aspecto que preocupa a ABC nesse momento de transição tecnológica, é a ausência de cursos de atualização, reciclagem e formação de projecionistas e técnicos em projeção digital. Por outro lado, o sucateamento das sala de exibição em suporte foto-químico, consequência da ausência de investimento numa tecnologia cada vez mais considerada como em vias de desaparecimento, levou a qualidade da exibição nas salas de cinema ao patamar mais baixo que se tem notícia até hoje entre nós.


Nesta conjuntura, a ABC manifesta sua preocupação com o acúmulo de erros e a falta de controle de qualidade em todas as etapas do processo, especialmente na masterização e na exibição, o que compromete o trabalho de todos os envolvidos na criação da imagem e do som (Diretores de Fotografia, Diretores de Arte,Montadores, Figurinistas, Técnicos de Som, Mixadores, Editores, etc).


Como ação inicial, estamos estabelecendo um Grupo de Trabalho dentro desta Associação, com o objetivo de preparar e divulgar as Recomendações Técnicas para a Imagem e o Som nas Mídias Audiovisuais Digitais; documento que descreverá em detalhe os procedimentos mínimos que assegurem a preservação da qualidade - com a reprodução fiel da imagem e som, da captação até a recepção final da obra.


A experiência do espectador diante das obras audiovisuais é nosso bem maior. Deve ser preservado e aprimorado. Para tanto, convidamos a todos os interessados a se unirem à ABC neste esforço.


São Paulo , 28 de Outubro de 2011


Presidente Vice-Presidente Secretario Tesoureira
Carlos Pacheco Adrian Teijido Rodrigo Monte Maritza Caneca



Membros do Conselho
Affonso Beato, Alziro Barbosa, Carlos Ebert, Henrique Leiner, Jacob Solitrenick, Jose Francisco Neto, Jose Roberto Eliezer, Lauro Escorel, Lito Mendes da Rocha, Lucio Kodato, Marcelo Trotta, Nonato Estrela, Pedro Farkas, Roberto Faisal, Tide Borges.